Dia do Professor. Ainda se comemora esta data? - Fernando Passos - 15 out 2016 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Fernando Passos   

Dia do Professor. Ainda se comemora esta data?

 

Com este provocativo título pretendo desvendar a enorme crise que passa a profissão das profissões, a do Professor. Temos visto pela imprensa constantes agressões aos professores em todas as camadas da população e em todas as regioes do país.  Some-se a este triste fato o desistímulo completo ao profissional do ensino no exercício de suas nobres funções. Sempre se diz que a educação será prioridade no Brasil. É certo ter havido muito avanço no ensino superior. Mas falta investimento, estímulo, criatividade, cobrança, modernidade ao ensino básico. Como fazer com que o ensino superior proporcione os resultados esperados se a base que a ele chega está fraca e desestimulada? Como competir com países que investiram e revolucionaram a base de seu ensino? E as mudanças tão necessárias, quando virão? O novo governo fez editar Medida Provisória neste sentido. O que vem colhendo: incompreensões corporativas de quem deseja que tudo continue como está. É pena que estudantes estejam sendo manipulados nesta discussão. Como é dificil mudar, meu Deus.

Voltando ao Professor. No passado este profissional era muito mais do que simplesmente um prestador do serviço publico ou privado. A relação nunca foi meramente contratual. O professor era tão importante e reconhecido que muitas vezes sua autoridade era maior do que a dos pais e isso era validado por todos. O educador exercia por assim dizer a plenitude do significado desta expressão “educador”, ou seja, era responsavel por muito mais do que a lição posta na sala de aula.

Hoje transforaram o professor em mero prestador de um serviço contratual. É comum que se diga: “não fez nada mais do que a obrigação”. Esta expressão era impensável anos atras. Se o professor reprimia um aluno em sala de aula ao chegar em casa o aluno ainda sofreria repressão dos pais. Hoje é comum pais irem a escola reclamar do professor por ter assim agido, defendendo seus filhos e retirando toda a autoridade do mestre. Quanto deserviço ao proprio filho e à nação causam esses pais. Quanta falta de bom senso possue quem assim age e quantas maléficas consequencias para a propria eduação do filho e a formação da cidadania causam esses genitores.

O dia do professor, 15 de outubro era a meu tempo data de grande celebração. Que possamos voltar a sentir orgulho de nossos mestres; que voltemos a ter a certeza de que muito além do contrato existe algo infungível e essencial nesta relação: o próprio sentido da educação mais ampla que tanta influencia pode trazer ao nosso carater.

 

Fernando Passos é Advogado, Professor da Uniara e Membro Titular da Academia Araraquarense de Letras.

 



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